No começo de dezembro, o Salão do Automóvel de Los Angeles (EUA) apresentou uma leva de carros equipados com tecnologia que promete fazer uma pequena revolução: com ela, carros com motor a combustão podem ficar mais econômicos, mantendo ou ampliando potência; e carros híbridos podem ficar mais baratos.

Não é uma tecnologia recém-lançada: modelos pioneiros foram lançados no final de 2016 nos EUA, Europa e Ásia. Mas, como toda novidade automotiva, só agora entra na fase de amplo uso. Mais: finalmente está sendo testada no Brasil e pode dar origem a modelos com as vantagens citadas acima já nos próximos dois anos. Na prática, será usada para facilitar a criação dos primeiros híbridos flex locais. E também de carros de entrada mais eficientes, sem encarecer o valor médio.

Esse sistema se chama “Mild Hybrid”, que pode ser traduzido como “híbrido leve” — outro nome para a tecnologia é de “Belt starter generator” (BSG, podendo ser traduzido como “motor de arranque com gerador”). Basicamente, um pequeno motor elétrico substitui, ao mesmo tempo, o motor de arranque, o alternador e o “Start-Stop”. Esse componente único ajuda a tracionar as rodas em determinadas circunstâncias, para reduzir o consumo de combustível ou aumentar performance ao pisar fundo no acelerador (como um “booster”). Baterias extras, de 12 volts ou 48 volts, alimentam o sistema.

Novos Audi A4, A5, A7, A8, Q7; novo BMW Série 5; Citroën C3 europeu; novo Jeep Wrangler; novos Mercedes Classe A e CLS, além do Smart Fortwo; novo Mahindra Scorpio; novos Nissan Serena e X-Trail; Subaru Forester; Suzuki/Maruti Baleno e Ciaz; nova Honda Goldwing. São todos exemplos de carros e até de moto que já se valem da tecnologia no exterior. A maioria é de modelos premium ou de luxo, mas isso ocorre por conta do público dos salões estrangeiros — nossa realidade é mais “pé no chão”.

Jeep Wrangler 2018 se vale do "Mild Hybrid" para entregar mais força sem "beber" demais...
Jeep Wrangler 2018 se vale do “Mild Hybrid” para entregar mais força sem “beber” demais…

Como fica o Brasil?

Por aqui, a Valeo é uma das sistemistas que já testa aplicações para o mercado brasileiro. “Existem discussões entre a Valeo e as montadoras locais e até protótipos em teste na intenção de avaliar os ganhos das novas tecnologias. Já existem estudos para aplicações flex e algumas alterações na programação de interface já são aplicáveis”, informou a fabricante de auto-peças. Datas de lançamento dos primeiros modelos, bem como os nomes desses modelos, são informações mantidas em segredo e só serão reveladas pelas fabricantes dos carros, não pela Valeo.

O que se pode dizer é que o uso dessa tecnologia pode e deve se popularizar no Brasil com a entrada em vigor de novas metas de redução de emissões de poluentes e de consumo. Espera-se que essas metas sejam apresentadas até o ano que vem pelo governo federal, por meio do programa “Rota 2030”, o novo regime automotivo que irá substituir o “Inovar-Auto”, mas que está atrasado (as propostas deveriam ter sido apresentadas em setembro).

Atualmente, o sistema “Start-Stop” equipa os modelos Fiat Uno, Argo e Toro, além de Jeep Renegade e Compass. Nos EUA, o novo Wrangler, mas também o monovolume Chrysler Pacifica usam o “Mild Hybrid”. O que se sabe é que a FiatChrysler está no páreo. Uma aposta é de que em uma renovação do Jeep Renegade este sistema esteja presente. Até mesmo para a remodelação do Uno, que foi um dos pioneiros no uso do “Start-Stop”, é cogitada a nova tecnologia.

A Toyota também já trabalha na motorização para um Prius nacional e flex, que também servirá de base para a nova geração do Corolla, também como um híbrido flex. Ambos podem se valer da novidade.

Quem também testa a tecnologia no exterior e pode nacionalizar os testes em breve é a Volkswagen — na Europa, o Golf é o principal “balão de ensaios”, enquanto os novos SUVs e picape (derivados da família Polo), bem como a renovação do Gol podem estrear o uso localmente.

Fica menos caro fazer um carro mais econômico

Além da Valeo, a Delphi é outra fornecedora que desenvolve a tecnologia “híbrido leve”. Ambas a descrevem como uma evolução do sistema “Start-Stop” que permite ainda entregar desempenho de motores maiores, mas poluindo e gastando menos combustível. Para um híbrido padrão, a diferença está na capacidade de geração e armazenamento de energia menores, mas custo também muito menor e manutenção mais fácil e segura.

“A sua fácil integração na estrutura veicular convencional, da mesma maneira que o alternador atrelado à correia do motor, faz com que seja uma ‘virada de jogo’ nas inovações dedicadas à redução no consumo e ao aumento de eficiência energética”, informou a empresa.

Se comparado ao sistema “Start-Stop”, a tal “evolução” significa custos 40% ou 50% maiores para o uso de baterias de 12 volts, segundo Sandro Soares, gerente de engenharia de aerodinâmica e eficiência energética da FCA (Fiat-Chrysler Automóveis). Ainda assim, é um custo muito reduzido na comparação com o valor de híbridos comuns. Baterias de 48 volts elevariam esse custo em até 80%.

Assim, o custo de produção de um sistema “Mild Hybrid” de 12V — que será o mais indicado para modelos nacionais — pode variar de US$ 350 a US$ 500 acima dos valores de produção atuais — aumento de R$ 1.200 a R$ 1.700, aproximadamente.

Carros com tecnologia híbrida leve poderá usar baterias de 12v até 48v.
Carros com tecnologia híbrida leve poderá usar baterias de 12v até 48v.

Mais econômico e mais forte

Como dito no começo do texto, um carro com sistema “Mild Hybrid” não apenas pode ser mais econômico, mas também ter uma forcinha maior por algum tempo. Soares, da FCA, esclarece que o sistema pode proporcionar economia ainda maior que a do “Start-Stop” (que gira em torno de 20%, de acordo com o modelo e com o uso).

De novo, tudo depende do tipo de aplicação. “Depende da calibração o sistema e da prioridade dada no projeto, seja para a economia ou para o desempenho. Varia de acordo com o que cada montadora quer extrair desse sistema”, disse o gerente da FCA.

De acordo com a Valeo, o sistema com bateria de 48 volts pode proporcionar um “bossa” (ganho temporário de potência) de 15 kW (20,4 cavalos) durante 20 segundos. Já o sistema de 12 volts permite ganhar em média 8 cv pelo mesmo tempo. Engenheiros ouvidos confirmam que o Brasil já dá seus primeiros passos rumo a sistemas mais eficientes; além de sistemistas, a Toyota já admitiu testar componentes para um Prius flex junto a universidades locais.

Isso se traduz em carros mais prazerosos e seguros de se guiar, sobretudo quando se precisa de mais força — naquela saída de semáforo ou no momento de ultrapassar outro veículo na estrada, por exemplo.

O motor elétrico de um carro híbrido leve substitui o alternador, motor de arranque e até mesmo o sistema Start-Stop.
O motor elétrico de um carro híbrido leve substitui o alternador, motor de arranque e até mesmo o sistema Start-Stop.

Fonte: UOL Carros

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